Contemporâneo descobrimento

postado por Beto

O infográfico do Facebook feito pela Visual Economics mostra a magnitude da rede social. Mais de 500 milhões de usuários, 200 milhões deles acessam diariamente, 70% utilizam aplicativos, a fan page do Michael Jackson tem 13.3 milhões de fãs, existem mais de 62 milhões de usuários mensais de Farmville, entre outras “oportunidades” de comunicação para o nosso mercado:

A grande dúvida é se devemos comunicar uma marca para o público brasileiro através do Facebook. Analisando os usuários presentes de acordo com o Facebackers, que coleta dados a partir do Facebook Statistics, no Brasil existem menos de 5 milhões de usuários, isso significa uma penetração de 7% dos nossos usuários online e apenas 2,48% de toda nossa população.

Putz, que apunhalada esses números do Brasil, inferiores a Argentina, Colômbia, Venezuela e Chile! Felizmente, existem outras informações que são muito mais representativas no mundo digital, principalmente relacionadas ao comportamento do público, como ciclo de influência, motivações de relacionamentos, nível de participação, entre outras. Ainda não existem análises consagradas e seguras de sucesso para o universo online, temos ainda poucos cases em um ambiente de constante mudança, mas é nesses momentos que sobressai a intuição e a vontade da descoberta, nesses momentos que temos as grandes “oportunidades”.

A era do exibicionismo

postado por andre

Durante os próximos 8 minutos, esse senhor acima fará lipoaspiração em si mesmo. Ele diz que sabe o que está fazendo. Assita o filme todo e depois me conte o que acha do resultado.

Quando assisti pela primeira vez, fiquei um pouco chocado. Não exatamente pelo fato do fulano não precisar de lipoaspiração (poderia se alimentar melhor e ir malhar, não tava assim tão ruim) e nem pelas situações novas para minha retina tais quais fazer essa porra sozinho em cima da cama, durante horas, barriga roxa, cânula entrando e quase rasgando a pele, etc. Mas sim pelo fato dele ter cuidadosamente filmado (e dublado?) tudo com carinho meticuloso.

O que ele esperava obter desta exibição?

Isso é um sinal dos tempos digitais. Acho que as pessoas não estão certas do que querem ao exporem suas vidas abertamente para qualquer um bisbilhotar. É um ciclo voyeurístico onde o exposto procura preencher seu vazio com o espanto, apoio ou rechaço do outro que assite, e o espectador procura um pouco de substância para preencher seu ego com curiosidades que elevam seu status perante seu grupo e perante si mesmo, afinal “que trouxa esse cara!” é o que provavelmente pensarão. É interessante ver pessoas testando seus limites e se colocando em posição confortável de juízes dos dramas cotidianos.

Isso logicamente toca no caso recente da mulher de Sorocaba que é traída por sua suposta melhor amiga e resolve “se vingar” colocando o filme no YouTube. O que era da esfera pessoal e poderia ser tratado como tal agora tem o papel de transformar a acusadora em mártir dos bons costumes da sociedade, novamente em busca do preenchimento da tristeza com o apoio ou rechaço do outro que assiste. O que realmente acontece é que ela será possivelmente indiciada a uma cacetada de processos criminais e ficará um pouquinho em cana para acalmar os ânimos.

Interessante como a importância da validação dos atos corriqueiros é hoje extremamente rápida. Esses atos são fotografados, filmados, descritos em texto, cantados, parodizados, enviados por SMS, expostos para que amigos imediatamente se pronunciem a favor ou contra (Twitter e outros). Pessoas se filmam malhando, festejando, escovando os dentes, cantando no banheiro, fazendo bolo, trepando -- e tudo estará ao alcance de 6 bilhões de pessoas em minutos.

Estamos vivendo uma época onde a opinião do outro conta demasiadamente, e estamos nos formatando não para viver uma vida agradável, e sim para agradar muita gente que pouco importa.

O marketing pessoal reina.

Teste? Que teste?

postado por andre

No post anterior Beto menciona o gênio de Ford criando a estrutura da linha de montagem. Sorte da indústria da época e possível trauma de estruturas criativas de hoje? Isso me faz lembrar algo que li recentemente sobre Ford, e dizia mais ou menos isso: “Se eu fosse perguntar o que as pessoas queriam, elas teriam me dito que queriam cavalos mais velozes”


Isso logicamente também se conecta com o famoso teste da Sony para seu então-novo produto, o Walkman. Um focus group, provavelmente nos idos dos anos 80, indagado sobre a cor que os deixa felizes, radiantes, passa boas energias, dá a sensação de movimento e de atividade (não soa como um perfeito teste de marketing?), teria escolhido o amarelo. Supostamente a escolha foi unânime e todos da pesquisa sairam com a sensação de missão cumprida.

Na saída, os convidados poderiam levar para casa qualquer um dos walkmans em dezenas de cores que estavam disponíveis para o teste que havia terminado. Invariavelmente, todos saíram de lá com o Walkman preto.

O que isso quer dizer? Que testes são desnecessários? Que as pessoas nunca sabem o que querem, portanto cabe a nós continuar inventando e testando um sem-fim de novas possibilidades?

Não exatamente.

Eu acredito em testes. Em testes de conceito, em testes quali e quanti de público e comportamento, de insights, de performance, de usabilidade. Mas acredito também na resolução de problemas de um modo mais orgânico, espontâneo, caótico. Ninguém sabe de onde a solução pode aparecer.

Tenho um pouco de bode do modus operandi americano de tudo testar. É na verdade uma fulga generalizada do risco, da espontaneidade, de ter que tomar decisões que podem afetar o negócio para bem ou para mal. É o middle management cagando nas calças pelo seus empregos, é o big-shot sem crenças e ideologias focadas.

Permanece em mim a sensação de que a maioria dos grandes saltos de tecnologia ao longo das décadas realmente não foram dados através da cuidadosa observação e metrificação do comportamento humano, e sim por alguns gênios solitários, normalmente outcasts sociais, que tinham uma paixão inexplicável, uma idéia fixa, uma coragem arrasadora de ir contra o status quo vigente e ousar.

Fica aí minha admiração pelos grandes gênios solitários de outrora e pelas grandes empresas de pesquisa de agora. Ainda é impossível entender a fórmula da criatividade.

PS. Engraçado saber que hoje, depois de 30 anos de sua invenção, adolescentes têm dificuldades em mexer num Walkman e o acham complicado demais.

Chão de fábrica

postado por Beto

Todos nós já ouvimos histórias sobre o modelo T de Ford e alguns de seus ensinamentos: “Se eu perguntasse as pessoas o que elas gostariam, teriam me dito que queriam um cavalo mais rápido“. Além da citação bacana, o carro também podia ser consertado sozinho, era democrático e acessível para os próprios operários da fábrica, que trabalhavam no inovador modelo de linha de montagem, etc.

Uma das práticas mais difundidas foi essa última, a linha de montagem. Copiada, adaptada e encenada, acusada pelos recursos humanos, resignificada pelos japoneses e ainda praticada. Sim, ela é muito praticada por diversas indústrias pois estabelece uma forma prática de padronização de processo porque simplesmente limita ele. A probabilidade de erro é menor quando temos menos espaço pra isso, certo!?

Mas hoje vivemos na era do pós-hiper-homo-gastro valorização das pessoas, como é possível que criminosos ainda pensem nesse formato? Então, ouvi essa pista em uma discussão no Creativity com o estrategista da BigSpaceship, @ivanovitch: “One thinks about things and actually doesn’t do anything and the other does things but actually doesn’t think about anything. And at Big Spaceship what’s been really wonderful is that because everyone works on stuff together that doesn’t happen, everyone is responsible for thinking about what they are doing and making the things we think about happen“.

Comecei a pensar se nossa indústria não vive uma espécie de linha de montagem: O cliente passa um briefing para o atendimento, que brifa o planejamento, que brifa a criação, que brifa mídia, que brifa a produção e, se tudo der certo, o consumidor vai engajar-se bem de acordo ao briefing.

Pessoas sempre se comprometeram com o que elas participam e são envolvidas. Numa indústria que vende idéias, a padronização faz muito mais sentido como cultura do que processo. Será que somos cúmplices de nós mesmos e não sabemos disso?

Holografias e 3Ds

postado por andre

A maior beleza deste projeto foi a maneira inventiva com a qual esse grupo conseguiu um efeito holográfico com técnicas simples que não tem nada de holográficas e nem precisam de materiais especiais. Basta usar de uma maneira muito criativa o acelerômetro do hardware.

Enquanto muitos estão indo atrás de novas tecnologias (grande missão!), outros estão utilizando tecnologias já existentes -- e que aliás surgiram ontem -- de maneiras muito criativas, para que elas cheguem ao grande público e causem um grande impacto.

Este não é o caso do projeto acima da Rossi. Sem entrar no mérito de ser ou não algo inovador, o formato dá função grandiosa à uma tecnologia que é vista 99% das vezes aplicada em bobagens: realidade aumentada.

Tem toda essa confusão de abrir um site, ver pela câmera, ter que pegar seu helicóptero particular e olhar o prédio de cima apenas… esses trâmites complexos limita muito a aplicação. Porque não fazer um poster com o código na frente do terreno onde as pessoas possam pegar seus celulares na hora, digitar uma URL e conseguir ver o prédio? Ou até ter um graaaande poster reticular onde os milhões de carros que passam ali na frente possam ver o prédio num fake 360 à medida em que vão passando?

Certamente deu o PR necessário para gerar alcance e interesse do público -- e por isso é muito bem sucedida -- mas não me deixa comovido.

O melhor exemplo para mim é certamente o projeto da FedEx: inteligente, pois usa a tecnologia para algo realmente funcional. Não é uma bobagem que vai sumir depois que a imprensa terminar de mastigar a informação.

https://www.prioritymail.com/simulator.asp

Oráculo Levi’s

postado por andre

Palmas para a galera que criou o aplicativo Oráculo Levi’s para Facebook.

É uma brincadeira legalzinha porque tem um belo fundo de verdade aí. Pela primeira vez, um software calcula ao mesmo tempo o resultado de determinado usuário baseado em horóscopos normais e chinês e também a numerologia do nome próprio.

Claro que se tudo estiver errado no seu perfil, sua leitura estará completamente errada. Mas se tudo estiver ok, vc pode descobrir qual dos seus amigos é mais compatível com você. As pessoas sempre se assustam com a resposta.

Sabemos que não deveríamos misturar os 3 sistemas de previsões de uma vez só pois podem ativar a fúria dos deuses, mas por enquanto nada aconteceu.

Futeboooooooooooooooom Coca-Cola!

postado por andre

Esse jogo é realmente divertido. É gostoso criar um joguinho para Orkut que realmente nos faz querer jogar muito! Eu fiquei uns 15 minutos fixado chutando a bola nas caras dos meus amigos. A copa está acabando mas espero que a paixão brazuca pelo futebol não esmoreça.

Perigos na Internet

postado por andre


Criamos uma campanha para Microsoft que conta com 5 artistas de quadrinhos muito bacanas. As ações viraram uma cacetada de coisas, entre elas adesivos e Mica Cards espalhados pelo país (que também eram adesivos).

A idéia é trazer à tona perigos inerentes do uso impensado da internet, desde colocar sua carinha fofa peladinha num site de relacionamentos até utilizar seu cartão de crédito em sites obscuros. Mas a boa notícia é que IE8 é o browser mais seguro e pode te ajudar a não fazer essas cagadinhas que podem virar um cagadão lá na frente.

Pharmaton

postado por andre

Clube Pharmaton: um projeto lindíssimo que lançamos a algumas semanas.

O que mais me emociona neste projeto são 3 coisas legais:

(1) A interface, que é certamente diferenciada e ao mesmo tempo bem simples de utilizar

(2) A simplicidade. De cores, de formas, de tipografia, de estrutura. Gosto de um monte de informações que é modelada para parecer mais simples do que é.

(3) O início de uma relação mais profunda entre a marca e seus usuários. Não é um site para “viralizar”, e sim para atingir profundidade numa relação que começa agora.

Esta é a primeira fase! Vamos ver como o projeto se estrutura ao longo do tempo.

2 sites Gringo na revista W

postado por andre

Gracias a todos!

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